sábado, 18 de outubro de 2008

.sobre a imagem.




“nenhuma obra de arte é contemplada tão atentamente em nosso tempo como a imagem fotográfica de nós mesmos, de nossos parentes próximos e de nossos amados” [Lichtwark apud Benjamin, 1994: 103]
Chega a ser inimaginável a cogitar o pensamento das pessoas sobre a concepção da fotografia em meados do século XIX. Como imaginar a vida sem imagens tão verossímeis? Como imaginar a surpresa dessas pessoas em relação a este invento?
É sabido que há muito já se procurava sobre como obter essa imagem que é a ‘cópia’ do que se observa. Aristóteles descobriu, observando um eclipse, que havia a necessidade de um anteparo para “filtrar” os raios de luz e projetou então, um quarto escuro com um orifício: a câmara escura [só chamada assim, um pouco mais tarde]. Gerando imagens por volta de 1545. E assim, foram descobertas novas propriedades da luz, como sua linearidade, que resultou no aprimoramento deste novo invento, inclusive a incorporação de lentes. Desde então, a câmara era utilizada como meio para se desenhar de forma mais próxima possível da realidade, somente como meio, pois ao ter os raios organizados pelo orifício, a câmara escura os projetava no anteparo, sem os fixar. Sendo assim, haviam vários tipos de dispositivos que tornavam possível a cópia de imagens desde paisagens até o mais simples retrato. Vários artistas se aproveitaram destes artifícios para desenvolverem suas pinturas, entre os cogitados desta prática esta está meu querido, silencioso e descritivo Vermeer.
Além, da ligação com a concepção da perspectiva como a nova forma de ver a imagem [sobre isto ainda não estou preparada para detalhar, quem sabe em breve, pois muito me interessa]; a câmara escura muito influenciou as práticas artísticas desenvolvidas em sua época e foi base para muitas experiências que visavam o aprimoramento da captura de imagens. Muitos deles sequer teremos noticias, mas o principal mote para pesquisas era a fixação desta imagem obtida. Após a descoberta da sensibilidade dos sais de nitrato à luz, começa então a parte mais controversa da história da fotografia: seu verdadeiro descobridor. Niepce consegue fixar uma a imagem negativa de telhados a sua volta em 1826. Daguerre consegue então uma positiva diretamente em uma placa de cobre, posteriormente conhecida como Daguerreótipo. O governo francês ficou tão perplexo com a nova descoberta que comprou o direito de patente do invento de Niepce e Daguerre [pagando-lhes uma pensão vitalícia – detalhe que a cota de Niepce era muito inferior a de Daguerre: um caso meio Lucio Costa e Niemeyer, se entendem o que quero dizer...] e então, o os franceses doaram a patente para o mundo. Sendo então amplamente difundida essa forma de obtenção de imagens. Porém, a excelente novidade tinha seus problemas: a imagem que era invertida [positiva, mas invertida], única chapa que não permitia reproduções e o preço alto para se obter a chapa de cobre. Desta forma, a busca por melhores dispositivos levou Talbot a conseguir obter imagens em papel, gerando um negativo que possibilitaria inúmeras cópias. O chamado Calótipo [kalos: do grego ‘belo’], foi o ápice de desenvolvimento da fotografia nesta época, permitindo então o longo caminho que esta nova mídia ainda seguiria até chegar aos dias de hoje.
É realmente difícil de conceber como as pessoas podiam se espantar com uma foto como esta de Nadar, que hoje passaria despercebida. Benjamin comenta que o valor destas primeiras fotografias está no tratamento minucioso que seus fotógrafos ofereciam aos seus detalhes; tratando as dobras de tecido como as rugas de um rosto.
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[imagem 1: Carolina Barmell 'saia laranja', 2008; imagem 2: Johannes Vermeer 'Officer and a Laughing Girl', 1657-1658; imagem 3: Sarah Bernhardt por Felix Nadar, 1862]

Um comentário:

  1. Ahhh mto legal teu blog. Também estou entrando para essa vida bandida da blogosfera.

    Se quiser compartilhar das esquisitices o de um peripaque hehe
    www.peripaque.wordpress.com

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